Quem são os artistas de rua de Rio Preto?
- Luan Clynton

- 8 de mar.
- 3 min de leitura
Atualizado: 18 de mar.
Conheça a história de quem enfrenta sol, chuva e preconceito pela arte

O que as praças e sinaleiros mais movimentados de Rio Preto têm em comum com casas de show e circos? Ambos servem de palco para que artistas mostrem seu trabalho, impactando uma enorme quantidade de pessoas.
A diferença de desenvolver essa arte em espaços públicos é que, muitas vezes, as pessoas não esperam que, em meio à rotina, vão se deparar com música ao vivo e movimentos circenses. E isso interfere diretamente na reação de cada um ao trabalho daquele artista.
O sucesso nas ruas, inclusive, foi o que levou Abner Tofanelli a ser eleito vereador em Rio Preto. O artista, que ficou conhecido por tocar seu violoncelo no calçadão da cidade, foi eleito em 2024.
“Tocando na rua, você está sujeito a todo tipo de público, todos os gostos. Então, tem que tentar agradar o maior número de pessoas que está passando ali”, diz o agora vereador.
Quem também faz das ruas o seu palco é o rio-pretense Wagner Junior, 37 anos, que toca gaita, piano e até sanfona no calçadão da cidade, seja sozinho ou com sua banda Xote Clandestino. “Eu faço arte para arrecadar alguma coisinha para mim, porque é necessário, mas também para levar entretenimento às pessoas. Elas estão trabalhando, às vezes com algum problema, e vendo minha apresentação se alegram.”
Malabarismo
Além do calçadão, outro local que tem se tornado palco para artistas de rua são os cruzamentos de Rio Preto. Nos finais de tarde e aos sábados pela manhã, é comum avistar malabaristas fazendo sua arte. Muitos deles passam pela cidade enquanto percorrem o mundo se apresentando, como é o caso dos venezuelanos Antony Razquin e Darwin Bellorin.
Darwin, 31 anos, viaja há uma década pelo mundo, buscando pontos turísticos e movimentados para apresentar seus malabares com quatro pinos em cima de um monociclo.
“Começou a ficar um pouco difícil lá na Venezuela, e eu vim para o Brasil. Aqui conheci desde Roraima até o Paraná. Fui ao Paraguai, conheci a Argentina, e agora estou voltando, querendo ver minha família na Venezuela”, contou.
O malabarista, que está de passagem pelo interior paulista juntando dinheiro para rever a família, aprendeu a fazer malabares com Antony Razquin, também venezuelano, de 34 anos.
“Fico viajando pelo mundo todo. Já passei pela Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, mas toda minha família mora no Brasil, em Goiânia”, relatou Antony.
Segundo Antony, há quinze anos, fazer arte na rua era muito mais rentável do que atualmente. “Hoje, a arte de rua continua dando sustento, mas exige muito mais horas de trabalho e estratégias com horários, pontos de fluxo e clima, que variam de região para região. Para mim, cada sinal, cada cidade é uma plateia diferente, um público novo para mostrar minha arte e conseguir treinar e evoluir.”
Lei municipal
Diferente das capitais - como São Paulo e Rio de Janeiro - onde as expressões artísticas de rua são mais comuns, em Rio Preto muita gente ainda confunde artistas de rua com pessoas em situação de rua. Isso contribui para a criação de um estigma contra esses profissionais.
Na cidade, desde 2017, uma lei municipal (Lei 12.832/2017) estabelece regras para a apresentação de artistas nas ruas de Rio Preto. Entre elas estão: gratuidade para os espectadores, permissão para doações espontâneas e coleta mediante passagem de chapéu; não obstrução da passagem e circulação de pedestres, bem como o acesso a instalações públicas ou privadas.
Além disso, a lei prevê que as atividades de apresentação dos artistas de rua sejam realizadas nas ruas somente até as 22h.
“Essa lei é muito importante porque dá amparo legal aos artistas de rua de Rio Preto. Assim, não são confundidos com ambulantes e pedintes, mas tratados como artistas”, afirmou Abner.



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