top of page

Paixão que pesa no bolso

  • Foto do escritor: Ana Beatriz Aguiar
    Ana Beatriz Aguiar
  • 20 de mai.
  • 3 min de leitura
Com mais seleções, mais figurinhas e preços em alta, colecionar virou investimento

O estudante Felipe Lessa já garantiu mais de 100 envelopes de figurinhas e conseguiu pedir seu álbum na pré-venda (Foto: Ana Beatriz Aguiar)
O estudante Felipe Lessa já garantiu mais de 100 envelopes de figurinhas e conseguiu pedir seu álbum na pré-venda (Foto: Ana Beatriz Aguiar)

A febre das figurinhas está de volta e, desde 30 de abril, o álbum da Copa do Mundo de 2026 chega com um número recorde de 980 figurinhas colecionáveis, movimentando não só os torcedores, mas também o bolso. Com estimativas que podem chegar até R$ 7 mil para completar a coleção, a tradição ganha novos contornos, especialmente com o aumento dos preços.


Contexto

Antes de tudo, é preciso entender o cenário. A principal mudança desta edição está no próprio formato do torneio, a Copa do Mundo de 2026 terá 48 seleções, contra 32 em 2022. O impacto é direto, por conter mais times, mais jogadores e, consequentemente, mais figurinhas.


Na prática, o preço unitário não apresentou aumento expressivo. Em 2022, um pacote com cinco figurinhas custava R$ 4,85 (cerca de R$ 0,80 por unidade). Corrigido pela inflação de 21% até 2025, esse valor chegaria a aproximadamente R$ 0,97.


Já em 2026, cada pacote com sete figurinhas custa R$ 7 (R$ 1 por unidade). Ou seja, o aumento real gira em torno de 3%. Ainda assim, o valor final para completar o álbum cresce significativamente devido ao maior volume de figurinhas.


Os preços oficiais também chamam atenção: o álbum brochura custa R$ 24,90, enquanto a versão capa dura chega a R$ 74,90. Para quem vive a experiência há anos, a conta pesa.


O estudante de Direito, Felipe Lessa, colecionador desde 2014, não esconde a frustração.

“O preço aumentou demais e, pior, houve queda na qualidade”.

Ainda assim, abandonar o álbum está fora de cogitação.

“Representa minha infância, foi ali que eu me apaixonei pelo futebol e traz uma união com meu irmão. Já gastei R$ 1.200, foram R$ 500 com o álbum de capa dura e 100 pacotes de figurinhas, que dão R$ 700. Pretendo gastar no máximo de R$ 1.800 a R$ 2.000 no total, agora é hora de trocar. Mesmo com o alto valor, a questão é sentimental”, afirma.

O estudante de Fisioterapia João Pedro Peres também acompanha a coleção há mais de uma década e reforça o impacto financeiro crescente.

“Faço álbum de figurinhas desde 2014, completei todos e sempre finalizei. O preço praticamente dobra a cada Copa do Mundo, isso condiz principalmente com a inflação do nosso país. Os preços estão altos e são aproximadamente 300 figurinhas a mais para completar o álbum em relação às últimas edições”.

Mesmo assim, ele segue firme, pois afirma que representa uma tradição, e uma forma de recordar a Copa, que é um evento único no cenário mundial, e ainda mais especial para nosso país, que sempre foi apaixonado pelo futebol e pela copa.

"Gastei R$ 350 com uma box contendo um álbum capa dura prata e 40 envelopes, e pretendo gastar mais R$ 700 a R$ 800 em envelopes”.

Já para a estudante Luisa Zacaron Ferrari, o álbum vai além da meta de completar todas as páginas.

“Eu faço o álbum desde 2018, e acho que nunca consegui completar ele todinho, mas sempre vou tentando ao máximo. Sempre faço junto com meu irmão e com meu pai, e é muito legal essa dinâmica de colecionar em família”.

Comentários


bottom of page