Delivery: a praticidade que pesa no fim do mês
- Ana Beatriz Aguiar

- 23 de mai.
- 2 min de leitura
Praticidade e acessibilidade dos aplicativos tornam o delivery parte da rotina, mas escondem armadilhas para o bolso

Pedir comida pelo celular se tornou parte da rotina de milhares de brasileiros. O que antes era reservado para ocasiões especiais, hoje acontece entre reuniões, depois do trabalho ou até durante momentos de lazer em casa. O problema é que, muitas vezes, o delivery parece um gasto pequeno até a chegada da conta no fim do mês.
Para o economista Hipólito Martins, o grande perigo está justamente na frequência com que esses pedidos acontecem.
“Muitas vezes a gente compra por impulso, e essa compra não está no planejamento financeiro da pessoa. E a pessoa não compra uma vez só, compra várias vezes, e no final do mês isso faz uma diferença muito grande. É preciso comprar apenas quando houver necessidade; caso contrário, vai ficar difícil, fora do orçamento”.
Segundo ele, o delivery acaba entrando na rotina sem que as pessoas pensem no impacto final. Gastos pequenos e recorrentes criam uma falsa sensação de controle financeiro.
“A gente não percebe, mas uma hora toma um café, outra hora é um lanche, outra hora é um show, outra hora compra um livro, e isso não está previsto no planejamento financeiro da pessoa. Pagar R$ 8,00 ou R$ 10,00 numa xícara de café não parece mudar nada, mas faça a conta se você tomar três ou quatro vezes por semana, e depois no final do mês. Quanto isso vira? Quanto vira um lanche duas vezes por semana? Esse pequeno gasto exige muito cuidado, porque são gatilhos para compras por impulso também”.
O economista Bruno Sbroggio explica que esse comportamento está ligado à forma como o consumo funciona atualmente: rápido, acessível e impulsionado pela praticidade.
“Como vivemos presos e imersos no agora, temos a tendência de esquecer os gastos passados e futuros que ainda serão necessários”. Ele destaca que o impacto financeiro aparece justamente porque as pessoas analisam apenas o valor do pedido do dia, e não a soma total dos gastos. “Ao não ver o custo total, mas apenas a parcela daquele dia, perdemos a noção do todo”.
Praticidade x Estilo de vida
Além da praticidade, os especialistas apontam uma mudança no estilo de vida moderno como um dos fatores que mais impulsionam o crescimento do delivery.
“As pessoas têm cada vez menos tempo, e é lógico que, tendo menos tempo, acabam pedindo comida pronta. A forma de viver está mudando radicalmente. Hoje, muitas famílias já não jantam mais juntas em casa, e essa mudança cultural também afeta. Então pega dos dois lados: tanto na praticidade quanto no estilo de vida”, afirma Hipólito.
Bruno também acredita que o consumo está cada vez mais ligado ao impulso estimulado pelas redes sociais e aplicativos.
“O consumo hoje está ligado ao impulso, muito atrelado à facilidade e acessibilidade dos aplicativos. Você assiste a um vídeo curto mostrando um doce e, ao lado, já aparece um aplicativo ou link que permite pedir aquele item imediatamente. Em meia hora está na sua casa. Esse tipo de consumo atrapalha o planejamento financeiro e apela à emoção para vender”.



Comentários