Jovens de Rio Preto apostam no empreendedorismo como renda extra
- Glória Maria

- 20 de mai.
- 3 min de leitura
Apesar do crescimento do empreendedorismo, principalmente entre as mulheres, ainda existem barreiras que dificultam a permanência e o desenvolvimento desses negócios

Em meio aos desafios da economia brasileira e às dificuldades enfrentadas diariamente, o empreendedorismo tem se tornado uma alternativa para milhares de pessoas que buscam renda, independência financeira e novas oportunidades de trabalho.
Apesar do crescimento do empreendedorismo, principalmente entre as mulheres, ainda existem barreiras que dificultam a permanência e o desenvolvimento desses negócios. Segundo o Relatório Global de Empreendedorismo (GEM) 2024/2025, 21% das mulheres afirmaram ter encerrado um negócio por motivos familiares ou pessoais, enquanto 16,2% apontaram dificuldades para conseguir financiamento.
Os dados mostram ainda que as mulheres têm 47% mais chances do que os homens de fechar um negócio devido às responsabilidades familiares e domésticas.
Hipólito Martins, economista, ressalta que o empreendedorismo estimula a criação de empregos, aumenta a produção e atualmente se tornou uma alternativa para muitas pessoas que buscam independência financeira e novas oportunidades no mercado de trabalho.
“Os desafios são diversos. A instabilidade econômica no Brasil, a falta de clareza nas regras, tanto no âmbito jurídico quanto no institucional, dificultam o planejamento a médio e longo prazo. Além disso, o acesso a crédito com juros elevados e a inflação representam obstáculos consideráveis”, afirma.
A estagiária de marketing Miyuki Inoue, de 19 anos, moradora de Rio Preto, começou a vender trufas há cerca de dois meses como uma forma de renda extra. Ela comenta que iniciou com poucas unidades e não imaginava que teria retorno, mas, com o aumento das vendas, passou a levar os produtos todos os dias.
“Eu peguei poucas quantidades de trufas, uma bolsa térmica qualquer e comecei”, conta.
Atualmente, ela concilia o estágio com as vendas e oferece sabores variados, como pistache, Ferrero Rocher, Rafaello, Kinder Bueno e amendoim. As trufas são vendidas por R$ 6 e R$ 7, de acordo com o tipo de recheio escolhido. Em dias de maior movimento, Miyuki afirma conseguir vender entre 30 e 35 unidades.
Segundo ela, o maior desafio foi aprender a abordar os clientes e conquistar a fidelização.
“Daí surgiu a ideia de sempre levar sabores diferentes toda semana”, explica.
Já a estudante de jornalismo Bianca Rosa, também de Rio Preto, atua na venda de camisetas religiosas como forma de renda extra e na organização das próprias finanças.
“As camisetas me ajudam a ficar mais tranquila, e não ter aperto financeiro. Além de me ajudar a aprender a organizar melhor as minhas finanças”, afirma.
No entanto, Bianca também fala sobre os desafios enfrentados ao vender as camisetas.
“Alguns tamanhos não saem tanto e acabam encalhados. Porém, para mim, é uma forma de viver o que eu amo fora do trabalho. Não é a minha renda principal, mas me faz satisfeita com a minha missão e me deixa mais segura diante da instabilidade da economia”, diz
Hipólito afirma que o crescimento do empreendedorismo feminino representa um avanço importante para a economia.
“A participação das mulheres no empreendedorismo amplia a diversidade de negócios, fortalece a geração de renda e contribui diretamente para o desenvolvimento econômico do país”, afirma.
Os relatos mostram que, apesar das dificuldades, o empreendedorismo segue como uma importante ferramenta de transformação econômica e social, abrindo caminhos para novos negócios e diferentes formas de geração de renda como uma alternativa viável para quem busca estabilidade e independência financeira.



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