Ovo de Páscoa em 2026 tem “sabor” artigo de luxo
- Ana Beatriz Aguiar

- 25 de mar.
- 3 min de leitura
Com preços mais altos, menos prateleiras e consumidores mais seletivos,
Páscoa deste ano reflete mudanças no mercado

A Páscoa de 2026 chega com alta nos preços e mudanças no comportamento do público. Confeiteiras e clientes sentem, cada um à sua forma, os impactos desse mercado. Outro detalhe que chama a atenção nos mercados são as gôndolas de ovos de Páscoa menores.
A oferta mais enxuta acompanha um cenário de cautela, tanto por parte do comércio quanto dos consumidores. Conforme o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice oficial da inflação no país, que apresentou alta de 24,77% em 12 meses para chocolates em barra e bombons, reforçando a tendência de encarecimento.
Com isso, o consumidor tem feito mais contas antes de decidir o que levar. Por trás do chocolate, apesar do aumento nas prateleiras, o preço do cacau não acompanhou a recente alta. Segundo o economista José Mauro, o produtor não consegue cobrir os custos de produção do cacau.
“O chocolate processado está muito caro, porque as empresas são tipo oligopólios e jogam o preço para cima. O consumidor final é quem paga o preço alto. O preço do cacau mesmo está em patamar de 2024”, explica.
Quem produz sente, e muito
Ludmilla Brito, confeiteira, sente o impacto direto e relata que, em 2025, pagou de R$ 130 a R$ 140 na barra de chocolate, mas, neste ano, comprou barras por R$ 180 a R$ 200. Além do custo, ela aponta outro desafio: “As pessoas não reservam com antecedência, o pessoal sempre deixa para a última semana, e acaba atrapalhando um pouquinho. Por isso, tem que ter uma organização antes”, diz Ludmilla.
Já a confeiteira e empresária Ana Balestrieri está com a expectativa de vender cerca de 30% a mais em comparação ao ano passado, mas reforça o impacto no custo e o esforço para manter a qualidade: “Eu pagava em torno de R$ 90 em dois quilos de chocolate, hoje a gente não paga menos de R$ 180 no mesmo chocolate. O maior desafio é manter a qualidade, porque as pessoas não querem pagar mais barato em algo ruim”.
Criatividade como ingrediente principal
Mesmo assim, a criatividade vira saída. Ludmilla Brito aposta em tendências e em um cardápio que viralizou na internet.
“A novidade deste ano foi o ovo morango do amor, não só o tradicional, mas também o sabor de maracujá e o morango folhado.”
E é pelas redes sociais que ela consegue atender pessoas de toda a região.
“Tenho cliente em Altair, Guaraci, Icém, Olímpia, Guapiaçu, Cedral, Rio Preto, e, de quinta-feira em diante, eu atendo aqui em Uchoa, com retirada na minha casa”, comenta a confeiteira.
Já Ana Balestrieri afirma que inovar virou essencial para vender.
“As pessoas não querem mais do mesmo, as pessoas querem novidade. O que a gente trouxe de novidade para este ano foi o ovo cookie”, afirma Ana.
Consumidor mais cauteloso
Do outro lado, quem compra também mudou. A estudante Valentina Carbonera Gil resume bem esse comportamento.
“Eu não vou comprar ovo de Páscoa este ano, não vale muito a pena o preço que se paga pelo chocolate que vem no formato de ovo. A alternativa tem sido buscar opções mais vantajosas, como uma caixa de chocolate ou barras, que consigo comprar em maior quantidade pelo mesmo preço”.
O engenheiro de software Marcelo Brandini segue a mesma lógica.
“Pelo mesmo valor de um ovo, eu compro chocolates infinitamente melhores. Se eu tiver filhos um dia, talvez eu volte a comprar para eles, mas vou tentar educá-los para, desde pequenos, entenderem que ovo de Páscoa nada mais é do que um chocolate em um formato diferente”.



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