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Moradores da região de Rio Preto sentem no bolso a alta dos combustíveis

  • Foto do escritor: Glória Maria
    Glória Maria
  • 10 de abr.
  • 3 min de leitura

O valor elevado dos combustíveis impacta desde motociclistas e motoristas de carros até pessoas que utilizam transporte público


Bomba de combustíveis (Foto: Ivan Feitosa/Prefeitura de Rio Preto)
Bomba de combustíveis (Foto: Ivan Feitosa/Prefeitura de Rio Preto)

Nos últimos meses, o preço dos combustíveis no Brasil acumulou alta significativa, impactando diretamente o custo do transporte e o bolso da população. O diesel subiu em torno de 20% logo no início da guerra do Irã, e a gasolina também teve um aumento de 5,5%. Os dados foram coletados pela ANP (Agência Nacional do Petróleo).


Igor da Silva dos Santos, de 28 anos, prensista e morador de José Bonifácio, afirma que o aumento no preço da gasolina tem impactado diretamente seu orçamento. Dono de uma moto modelo Kawasaki, explica que, apesar do custo elevado do combustível, a motocicleta ainda é mais econômica do que um carro no dia a dia.


Segundo ele, a escolha pela moto ajuda a reduzir despesas com transporte, mas também apresenta desvantagens. Igor destaca que a segurança é um ponto preocupante, principalmente em condições climáticas adversas.

“A moto é mais econômica, mas não tem a mesma segurança que o carro, principalmente em dias de chuva. Em média eu gasto cerca de R$ 300 por mês, mas isso pode variar bastante dependendo de como está a minha rotina. No meu caso, a moto de alta cilindrada impacta diretamente no consumo em comparação com uma moto mais simples. Porém, com certeza, o aumento da gasolina influencia nesse aumento. Mesmo que não pareça tanto no começo, ao longo do mês isso acaba pesando no bolso”, conta.

O economista Hipólito Martins Filho, de 67 anos, aponta que 63% de tudo o que é transportado no Brasil depende do diesel, o que influencia diretamente no custo do transporte.

“Toda vez que sobe o diesel, principalmente agora, com a guerra, o impacto cai diretamente no preço do transporte”, diz.

A técnica de enfermagem Aline Fernanda Contente Floriano, de 28 anos, moradora de Rio Preto e proprietária de um carro modelo Astra, também enfrenta o impacto econômico no bolso durante o mês.

“A gente sente bastante no bolso. Eu gasto, em média, de R$ 700 a R$ 800 por mês com combustível e, como meu carro é 1.8, acaba consumindo mais. Com o aumento da gasolina, esse valor subiu cerca de um terço do que eu pagava antes. Hoje não pesa tanto porque eu abasteço com o ticket da empresa onde trabalho, mas, se tivesse que pagar tudo em dinheiro, com certeza faria muita diferença. É praticamente o valor de uma compra do mês no mercado”, relata.

Além disso, ela afirma que o carro é sua única forma de locomoção. Se tivesse outra opção mais barata, utilizaria para economizar.


Hipólito também destaca que o impacto dos combustíveis vai além do transporte individual. Segundo ele, pesquisas indicam que famílias que ganham até três salários mínimos chegam a gastar cerca de um terço da renda com alimentação.

“Quando o custo do transporte sobe, os alimentos também ficam mais caros, o que afeta principalmente a população de menor renda”, explica.

O economista acrescenta ainda que o aumento dos combustíveis também impacta meios considerados mais econômicos, como as motocicletas.

“As motos não são usadas apenas para transporte pessoal, mas também para entregas e serviços. Por isso, quando sobe a gasolina ou o diesel, o impacto acaba chegando para todos”, conclui.

A jornalista Malu Mendes, de 26 anos, que utiliza transporte público para se deslocar entre Mendonça e São José do Rio Preto, afirma que também sente os impactos econômicos, mas de maneira diferente. Segundo ela, optar por esse meio de transporte pesa bastante no orçamento mensal.

“Se eu não tivesse esse gasto exacerbado com transporte público para deslocamento, eu teria um alívio direto no orçamento mensal, conseguiria ter uma reserva financeira maior e, claro, isso seria redirecionado para despesas essenciais, como alimentação e contas”, relata.

O economista Hipólito ainda destaca o impacto para quem se desloca entre cidades.

“Uma passagem de Votuporanga para Rio Preto pode custar entre R$ 35 e R$ 40. Ida e volta chegam a cerca de R$ 70 a R$ 80. Dentro do que a pessoa ganha, isso impacta bastante. O transporte tem um peso alto no cálculo da inflação, porque afeta diretamente o salário das pessoas”, completa.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que aproximadamente 32% da população utiliza carro no dia a dia, enquanto 16,04% usam motocicletas e 21,04% dependem de ônibus. Os números indicam que, apesar do custo elevado, o transporte individual ainda é predominante no país.

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