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Imposto de Renda 2026 expõe desafios de contribuintes e contadores

  • Foto do escritor: Ana Beatriz Aguiar
    Ana Beatriz Aguiar
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura
Com prazo de entrega até 29 de maio de 2026, a declaração do Imposto de Renda mobiliza contribuintes e intensifica a rotina de contadores

Evitando deixar para a última hora, especialistas alertam que contribuintes já devem procurar escritórios de contabilidade com a documentação necessária (Foto: Ana Beatriz Aguiar)
Evitando deixar para a última hora, especialistas alertam que contribuintes já devem procurar escritórios de contabilidade com a documentação necessária (Foto: Ana Beatriz Aguiar)

Em meio ao avanço de ferramentas digitais e promessas de simplificação, o processo de declaração do Imposto de Renda ainda é marcado por aumento na demanda, pressão por prazos e desafios que vão desde inconsistências em dados até a falta de organização por parte dos contribuintes.


Para o contador e advogado Marcus Vinícius Apóstolo, da Itamaraty Contabilidade e Auditoria, o crescimento na procura pelos serviços é constante e acompanha o próprio ciclo do imposto. Embora ferramentas como a declaração pré-preenchida tenham facilitado parte do processo, o trabalho técnico continua sendo indispensável.

“O pessoal vai se habituando com a tecnologia, mas ainda assim existe um trabalho de conferência, bem ‘pente-fino’ mesmo”, explica.

Nos bastidores, a rotina dos escritórios se torna mais intensa e, muitas vezes, tumultuada. “Temos clientes que fazem o imposto de renda e também têm empresas com a gente, então respondemos dos dois lados”, diz.


O cenário se agrava com um comportamento recorrente: a busca pelo serviço apenas na reta final. “Muita gente deixa para a última hora, e isso impacta diretamente nosso trabalho.”


Entre os principais desafios enfrentados pelos profissionais está a dificuldade em reunir informações completas.

“Às vezes falta um documento, uma informação que não fecha, e precisamos estimular o cliente a buscar isso”, conclui Marcus.

Críticas e aumento da complexidade


Se por um lado há avanços tecnológicos, por outro, especialistas apontam falhas que tornam o processo ainda mais complexo. O contador e sócio da RCA Contabilidade, Rogério Luis de Aguiar, faz uma análise crítica do cenário atual.


Segundo ele, a procura pelo serviço segue concentrada no fim do prazo, mas neste ano há um fator adicional: a desinformação.

“As pessoas estão confusas com o aumento da faixa de isenção para R$ 5 mil, que vale para 2026, mas só terá efeito na declaração de 2027”, explica.

Rogério também destaca um comportamento recorrente dos contribuintes.

“As pessoas procuram o escritório como um paciente que recebe um diagnóstico ruim. Buscam solução para problemas que muitas vezes poderiam ter sido evitados”, afirma.

Para ele, a falta de organização e planejamento é um dos principais entraves. “O contribuinte não dá importância, não guarda documentos, e isso dificulta todo o processo.”


Em relação à tecnologia, a avaliação é direta: apesar de ser uma boa proposta, a execução ainda apresenta falhas.

“É o pior momento em 20 anos fazendo declaração. As informações da pré-preenchida muitas vezes não batem com os documentos. As declarações não fecham”, critica.

Receita aponta modernização, mas reconhece desafios


Na visão da Receita Federal, o momento é de transformação. De acordo com o auditor e delegado da Receita Federal, Paulo Sérgio Cláudio, o Imposto de Renda 2026 passa por uma das mudanças mais profundas dos últimos anos, especialmente na forma como os dados são coletados e processados.


Um dos principais marcos é o fim da DIRF, substituída por sistemas como eSocial e EFD-Reinf, que passaram a fornecer informações de forma contínua e detalhada. Segundo o auditor, esse novo modelo já processou bilhões de dados, ampliando a capacidade de cruzamento de informações.


No entanto, o primeiro ano de uso efetivo desses dados também trouxe desafios. “É comum haver divergências neste momento de transição, principalmente por erros no envio de informações por parte das empresas”, explica. Isso ajuda a explicar a percepção de aumento na malha fina, ainda que os índices estejam próximos dos anos anteriores.


Entre as novidades está a ampliação do uso da declaração pré-preenchida, que já alcança grande parte dos contribuintes, além de alertas em tempo real durante o preenchimento, com o objetivo de evitar erros simples.


Segundo Paulo Sérgio, a tendência é de um sistema menos burocrático e mais orientador.

“A Receita busca facilitar o cumprimento das obrigações, ao mesmo tempo em que reforça o controle das informações”, afirma.

O cenário do Imposto de Renda 2026 revela um momento de transição. De um lado, a digitalização e o uso intensivo de dados prometem mais eficiência e menos burocracia. De outro, profissionais da área ainda enfrentam inconsistências, aumento na demanda e a necessidade de lidar com contribuintes pouco preparados.

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