top of page

Impactos econômicos pelo fim da escala 6x1

Foto do escritor: Glória Maria
Glória Maria
20 de set.
4 min de leitura

Mudança na jornada de trabalho pode exigir novas contratações e elevar custos para empresas, enquanto especialistas apontam possíveis impactos sobre produtividade e consumo.


Foto: Instituto HGT
Foto: Instituto HGT

De acordo com as informações do Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), apurado mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e divulgado na quarta-feira (26). O campo que reúne a maior insatisfação é o da avaliação das Condições Atuais, com redução de 2,5% em relação ao mês anterior, seguido pela queda da Intenção de fazer Investimentos (-0,3%), subíndices que levaram o indicador aos 101,3 pontos após o ajuste sazonal – ainda em campo considerado otimista, porém 0,6% menor do que em julho.

 

O economista Hipólito Martins, de 67 anos, explica que uma eventual redução da jornada de trabalho pode aumentar os custos para as empresas, principalmente pela necessidade de contratação de novos funcionários.

 

Segundo ele, a produtividade do trabalho no Brasil cresceu, em média, apenas 0,2% ao ano na última década. Para Martins, antes de reduzir a jornada de forma ampla, é necessário investir na qualificação dos trabalhadores e em inovação tecnológica. ” Afirma ele.


Como os comércios são afetados?

 

De acordo com as informações do Fecomercio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo), o comércio atacadista paulista terminou o primeiro semestre deste ano com uma base de aproximadamente 632 mil postos de trabalho formais. É o maior contingente de trabalhadores no setor da série histórica, iniciada em 2020. Em junho, a alta foi de 1,2% em relação ao mesmo período de 2025.

 

A empresária do restaurante Empório, dona Tereza  Vanessa Romão, 29 anos, comenta sobre a estala 6x1, seafeta os custos da empresa e também comenta se seria necessário contratar mais funcionários.

 

“Sim, Claro, no fim o próprio consumidor vai pagar o preço, pois o produto vai aumentar, vamos contratar mais,só que o produto sobe e quem paga é o povo mesmo”, desabafa ela.

 

O economista também avalia que a redução da jornada pode aumentar os custos para os empresários, principalmente pela necessidade de ampliar o quadro de funcionários. Ele destaca ainda que a produtividade é um fator importante nesse processo.

 

 “Se a produtividade não está crescendo, você imagina trabalhando menos ainda. Para resolver o problema da produtividade, é preciso melhorar a qualificação do capital humano e inovar tecnologicamente. Quando se faz uma mudança na redução da jornada, é preciso considerar que as empresas terão mais custos e precisarão contratar outras pessoas”, explica.

 

O maior número de trabalhadores estava concentrado nos grupos de alimentos e bebidas, com 194 mil postos, além de produtos farmacêuticos, perfumarias e higiene pessoal (63.539) e máquinas de uso comercial e industrial (62.469). Em comparação com junho do ano passado, oito atividades registraram aumento do estoque de trabalhadores, com destaque para papel, resíduos e sucatas (2,6%), alimentos e bebidas (2,3%) e produtos e equipamentos para uso médico, hospitalar e odontológico (1,9%). 

 

Apesar do recorde no total de colaboradores ativos, o ritmo da expansão do emprego vem desacelerando, refletindo a base forte de comparação, mas também a perda de fôlego da economia diante dos juros elevados, do endividamento das famílias e da inflação acima do teto da meta.


Variação anual (%) do estoque de empregos formais/ Fonte: Caged/FecomercioSP
Variação anual (%) do estoque de empregos formais/ Fonte: Caged/FecomercioSP

O número de vagas criadas no semestre também caiu. Enquanto entre janeiro e junho de 2025 o atacado gerou 12.005 vagas, em 2026, no mesmo período, foram criados 5.536 postos de trabalho, resultado de 159.515 admissões e 153.979 desligamentos, constituindo o pior saldo para um primeiro semestre desde 2020



O impacto do trabalhador no fim da escala 6x1


Thales Ribeiro, de 28 anos, trabalhador do Império das Pizza, a escala 6x1 pode tornar a rotina mais cansativa e reduzir o tempo disponível para descanso e para a vida pessoal.


“Acredito que trabalhar seis dias seguidos deixaria a rotina mais cansativa e diminuiria bastante o tempo para descansar, resolver coisas pessoais e ficar com a família”, afirma.


Para Thales, ter dois dias de folga permitiria dividir melhor o tempo entre descanso e compromissos pessoais.


“Para mim, isso faz bastante diferença, porque consigo usar um dia para descansar de verdade e o outro para resolver coisas pessoais, sair ou passar um tempo com a família e amigos. Acho que esses dois dias ajudam bastante a começar a semana seguinte mais descansado e pronto para os próximos desafios.” justifica ele. 


Hipólito (economista) comenta sobre o trabalhador descansar em apenas 1 dia. “Porque trabalhar seis horas, descansar um dia, é muito pouco, porque na verdade esse é um dia que tem descanso, você vai limpar a casa, vai lavar a roupa, vai comprar o mercado, vai em médico, quer dizer, no final acaba não ter descanso, então precisa sim. Precisa ser um negócio negociado, tem que ter diálogo entre as partes, entre os trabalhadores, empresários, sindicatos, tem que ser conversado, porque senão, o que  ocorre? Em vez de você resolver um problema, você cria outro.”


E completa ainda que o trabalhador movimentaria a parte econômica de lazer. “Sem dúvida. Primeiro, que é um direito. Nós precisamos permitir que o trabalhador descansa um pouco mais, que seis dias é muita coisa. E é lógico que se fizer essa reforma, ele vai ter um dia ali e vai ter dois. Então, certamente, ele vai ter mais tempo para passear por lazer, por entretenimento, para família, por consumo, sem dúvida alguma, e isso mais para frente traz resultado positivo. Então, eu, num primeiro momento, eu sou a favor da redução da jornada de trabalho, mas desde que seja dialogado, desde que seja negociado, se não pode trazer transtorno mais para frente.”



 

 
 
 

Comentários


bottom of page