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A circulação do dinheiro nas feiras livres

Foto do escritor: Glória Maria
Glória Maria
19 de set.
3 min de leitura

Feiras livres formam uma cadeia que vai além da comercialização de alimentos e com produtos frescos, preços podem ser mais vantajosos aos produtores se a venda for direta ao consumidor


Foto: Marcos Morelli/ Prefeitura de Rio Preto
Foto: Marcos Morelli/ Prefeitura de Rio Preto

Segundo a Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento em 2025, 251 feirantes foram cadastrados e cerca de 700 pessoas trabalham diretamente nas feiras do município. O setor movimenta aproximadamente 25 milhões de reais por ano,contribuindo para geração de renda de dezenas de famílias e para a ligação entre pequenos produtores e consumidores.


Para o economista  Hipólito Martins, a importância das feiras vai além da comercialização de alimentos. Segundo ele, a atividade permite que o produtor  rural tenha um espaço para vender sua produção e, consequentemente, gerar renda e empregos.

 “Olha, as feiras, elas são muito importantes. Elas proporcionam que o produtor rural produza e vai vender esse produto. Quer dizer, isso vai gerar renda para o produtor, vai gerar emprego. Então é lógico que isso faz o dinheiro circular. Então a feira é um canal de comércio que quase sempre resolve esse problema, né? ...de acolher, de comprar desse produtor, de ter a oportunidade que esse produtor lá tem de poder vender o seu produto”, explicou.


Da produção ao consumidor

O feirante Henry Wellington, de apenas 15 anos, conta que a atividade tem participação significativa no orçamento da família, que realiza duas feiras por semana.

"80% da renda da família vem apenas das feiras, pois fazemos duas na semana. São vendidas entre 200 e 300 pamonhas e milho cozido”,diz Henry Wellington.


De acordo com os valores informados pelo feirante, o faturamento chega a aproximadamente R$ 2 mil por feira, enquanto os gastos ficam em torno de R$ 500. Considerando apenas esses valores, a diferença entre o faturamento e os gastos é de aproximadamente R$ 1.500 por feira.


Outro fator que contribui para o controle dos custos é a produção própria. Henry explica que o milho utilizado na fabricação dos produtos comercializados é cultivado pela própria família. Além disso, o sítio fica próximo aos locais onde as feiras são realizadas, o que reduz o impacto do combustível sobre os custos da atividade.


O consumidor também movimenta a feira

O movimento financeiro das feiras, porém, não depende apenas de quem produz e vende. Do outro lado das barracas estão os consumidores, que escolhem onde comprar levando em consideração fatores como preço, qualidade e variedade.


A jornalista e consumidora Bianca Zaniratto frequenta as feiras semanalmente. Entre os produtos que costuma comprar estão folhas, hortaliças, ervas, beterraba, rabanete, frutas, legumes e verduras.


“Eu compro na feira basicamente folhas, né? ...alface, rúcula, algumas hortaliças e ervas para fazer chá, principalmente, hortelã. Eu compro na feira  porque os produtos são mais frescos, né? ...e no caso das folhas o custo-benefício é  muito maior, porque pelo mesmo preço do mercado eu compro três maços na feira e um maço no mercado. Também gosto de comprar beterraba e rabanete porque são mais frescos. O custo-benefício para mim é melhor. Eu faço a feira semanalmente. Aqui em Rio  Preto eu tô comprando algumas frutas, melão, mamão, porque também são mais em conta, mas tem produtos que no mercado são mais baratos. Então eu vejo, sim, a questão do preço para comprar. Por exemplo, batata e cebola eu não compro na feira porque no mercado  o custo-benefício é melhor, é mais barato, né?...e a qualidade é tão boa quanto”, explica. 


 Para Hipólito Martins, o preço é um dos fatores que podem atrair consumidores para as feiras, mas não é o único. A variedade, a qualidade dos alimentos, o frescor dos produtos e a proximidade dos pontos de venda também influenciam na escolha.


 “Os preços das feiras são melhores do que o preço do supermercado. As feiras foram criadas com essa intenção. Elas já pagam menos imposto exatamente para isso, para o de vender a um custo menor, mas nem sempre vendem.Vai encontrar os preços menores. Então, o consumidor normalmente vai pela variedade de produtos que ele vai encontrar e vai pelo fato da qualidade e por ser produtos frescos. Muitas vezes, esse produto, está próximo da casa dele. Muitas vezes está até na frente da casa dele. Quer dizer, a facilidade de acesso, mobilidade”, explica ele.


Assim, entre quem produz, quem vende e quem compra, as feiras livres formam uma cadeia que vai além da comercialização de alimentos. O dinheiro que passa pelas barracas ajuda a sustentar famílias, gerar trabalho e manter recursos circulando dentro da economia local.


 
 
 

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