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Alta nos preços de alimentos pressiona orçamento e muda consumo de famílias no interior de São Paulo

  • Foto do escritor: Glória Maria
    Glória Maria
  • 19 de mar.
  • 2 min de leitura

Atualizado: 21 de mar.

Produtos similares e ofertas são alternativas usadas por famílias que sentem no bolso o aumento de alimentos básicos

(Foto: Glória Taroco)
(Foto: Glória Taroco)

Nos últimos 12 meses, o aumento nos preços de alimentos básicos como arroz, leite, pão e, principalmente, o café tem transformado a rotina de famílias na região de Rio Preto. Entre os fatores estão o clima, a alta do dólar e os impactos da pandemia.


Maria Antônia, de 53 anos, professora, conta que está cada vez mais difícil manter uma casa com uma família de quatro pessoas. No supermercado, diz encontrar produtos como o café, que antes custava cerca de R$ 15 e hoje não aparece por menos de R$ 25.

“Impossível fazer uma compra completa com R$ 1 mil atualmente”, conta.

O economista Hipólito Martins Filho, de 67 anos, afirma que a alta do café resulta de fatores acumulados desde a pandemia, especialmente a queda na produção no Brasil.

“Com a pandemia, houve uma redução na produção, enquanto o consumo continuou constante. No caso do café, temos um produto que não tem substituto imediato e faz parte da rotina de muitas famílias brasileiras. Então, mesmo com o preço alto, o consumo se mantém, fazendo com que sustente os valores elevados”, diz.

Para economizar, Maria passou a acompanhar promoções e buscar melhores preços. Ela cita a carne, que costuma custar cerca de R$ 40 o quilo, mas, durante as ofertas, pode ser encontrada por pouco mais de R$ 30, gerando economia de quase R$ 10 para o bolso.

“Eu me preocupo com os alimentos, pois o salário não acompanha os aumentos”, afirma.

A empreendedora Rosa Queiroz, de 43 anos, comerciante do setor alimentício em Rio Preto, também sente o impacto. Segundo ela, houve aumento significativo, principalmente em verduras e legumes.


Além disso, ela destaca a alta nas bebidas, influenciada pelo aumento de impostos. Com preços mais elevados, afirma ter reduzido o volume de compras e passado a buscar marcas semelhantes e mais acessíveis.


Entre os itens com maior reajuste, Rosa cita a Coca-Cola, com alta de cerca de 12%, o açaí, com 14%, e o leite Ninho, que chegou a 20%.


A principal preocupação, segundo a comerciante, é a instabilidade dos preços.

“Hoje está um valor, amanhã pode ser outro”, afirma. Para ela, a variação dificulta manter preços fixos sem prejudicar o consumidor.


Outros fatores


Outra causa importante apontada por Hipólito, referente à pressão sobre os preços, está ligado também aos eventos climáticos extremos. “Hora chove demais, hora faz calor excessivo, o que impacta diretamente a produção”, diz.


Além do dólar alto, que hoje chega a um pouco mais de R$ 5 e encarece produtos importados, pressionando o mercado interno. A alta dos juros também contribui para o cenário.


A expectativa, segundo Hipólito, é que a inflação encerre o ano em torno de 4%, embora o cenário permaneça incerto diante das tensões internacionais e do comportamento do preço do petróleo.

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