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Por que o celular, entre todas as telas, é a pior?

  • Foto do escritor: Paula Bifano
    Paula Bifano
  • 10 de mar.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 11 de mar.

Criança mexendo em um tablet (Foto: Anna Luísa Paulon)
Criança mexendo em um tablet (Foto: Anna Luísa Paulon)

O celular tornou-se uma das principais ferramentas de entretenimento, mas, quando o assunto é infância, ele é considerado a pior tela. Isso porque prende a atenção de forma intensa, oferece estímulos prontos e rápidos e pode trazer sérias consequências para o desenvolvimento infantil.


Uma pesquisa do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) mostra que a porcentagem de crianças brasileiras que usam o celular tem crescido. Em 2015, 3% dos pequenos de 0 a 2 anos, 6% dos de 3 a 5 anos e 18% dos de 6 a 8 anos possuíam um aparelho próprio. Em 2024, esses índices aumentaram para 5%, 20% e 36%, respectivamente.


Segundo a médica pediatra Maria Alice Saad, o impacto do aparelho vai muito além da distração.

“O celular entrega tudo mastigado, não precisa pensar. Para um cérebro em evolução, isso é um desastre. Além disso, é uma tela com muita luz, o que tem aumentado os casos de miopia. Também observamos sono alterado, fala restrita e comportamentos típicos de vício”, alerta.

Na prática, muitos pais recorrem às telas como apoio no dia a dia. Agatha Aguiar, mãe de Arthur Aguiar, de 1 ano e 5 meses, conta que permitiu o uso do celular pela primeira vez quando o filho tinha apenas cinco meses.

“Precisava fazer coisas básicas, como ir ao banheiro. Com isso, comecei a colocar musiquinhas e dar o celular para ele”, relata. Com o tempo, o hábito fez com que a criança pedisse o aparelho cada vez mais. “Hoje percebo que, quando ele fica muito tempo conectado, tende a ficar mais ansioso e nervoso. Por isso, tenho tirado o aparelho dele”, acrescenta.

Situação semelhante é vivida por Gabriela Silva, mãe de uma criança de um ano, que utiliza a televisão como forma de distração enquanto realiza tarefas domésticas.

“Deixo o desenho ligado. Enquanto ele brinca e assiste, consigo fazer minhas tarefas”, explica.

Apesar de funcionar como um recurso momentâneo, o uso frequente das telas levanta preocupações em relação ao comportamento e ao desenvolvimento infantil. Segundo especialistas, o maior desafio é estabelecer limites.

“No meu caso, quando tiro o celular, ela chora, faz birra e fica emburrada. Acredito que o ideal seria ter o próprio aparelho só por volta dos 12 anos, quando já existe mais responsabilidade e necessidade de comunicação”, afirma Yasmin Fernanda, mãe de Alice Vitória, de 7 anos.

Dentro de Casa


De acordo com a psicóloga Amanda Delastaca, o excesso de telas compromete a capacidade de interação social das crianças.

“Crianças expostas por longos períodos têm mais dificuldade em identificar emoções e acabam se isolando”, explica.

Ela destaca que os sinais de prejuízo costumam aparecer tanto em casa quanto na escola, manifestando-se por irritabilidade extrema quando o celular é retirado, baixo rendimento escolar e desinteresse por brincadeiras ao ar livre.


A psicóloga Renata Mendes Pereira Escabin reforça que o uso excessivo de telas está diretamente relacionado ao aumento dos casos de ansiedade infantil.

“Há um crescimento significativo de quadros de ansiedade e de comprometimentos emocionais. Pesquisas em neurologia, psiquiatria e psicologia já mostram que o uso das telas tem prejudicado o desenvolvimento emocional das crianças”, afirma.

Quem também sente os reflexos do uso exagerado de celulares são os professores.

“Percebo que alunos que usam demais o celular apresentam maior dificuldade de concentração, menor tolerância à frustração e até queda na qualidade da comunicação oral e escrita”, observa a pedagoga Iara Sonsin.

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