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Da prateleira à saúde: o impacto da rotulagem nutricional

  • Foto do escritor: Anna Luísa Paulon
    Anna Luísa Paulon
  • 23 de mai.
  • 3 min de leitura
Estudos apontam que a maior parte da população brasileira não sabe interpretar rótulos

Informações nutricionais de uma caixa de leite (Foto: Diego Viana)
Informações nutricionais de uma caixa de leite (Foto: Diego Viana)

Apenas um quarto da população brasileira consegue compreender exatamente o que está consumindo. Segundo o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), somente 25,1% da população relatou ser capaz de entender o que dizem os rótulos dos alimentos. A leitura e compreensão das informações nas embalagens são fundamentais para manter uma alimentação equilibrada.


“Saber o que está no nosso prato é, antes de tudo, exercer o nosso direito à informação e à saúde”, reforça a nutricionista do IBILCE, Thayane Caobianco.

“No cenário atual, em que a indústria oferece uma quantidade massiva de produtos altamente processados, entender a composição dos alimentos nos permite fazer escolhas conscientes, em vez de sermos levados apenas pelo marketing da embalagem, completa”

O Guia Alimentar para a população brasileira (2014) alerta para a escolha dos alimentos, reforçando que a base da nossa dieta deve ser composta por alimentos in natura ou minimamente processados. Quando pensamos em Segurança Alimentar Nutricional Sustentável (SANS), a autonomia do consumidor é um dos pilares mais importantes. Saber ler e interpretar o que estamos levando para casa é um ato de cuidado com a nossa saúde e com o planeta.


O design das embalagens também pode ser um fator que dificulta a compreensão das informações. De acordo com a designer gráfica Maísa Siqueira, o intuito do design de uma embalagem é trazer informações com clareza e, ao mesmo tempo, ser atrativo ao consumidor.

“A estética ajuda a atrair, o marketing posiciona o produto e a clareza garante que a comunicação funcione de verdade. Principalmente em rótulos alimentícios, é importante que as informações sejam fáceis de localizar e entender.”

Mais do que consumir pela embalagem, quando se trata de alimentos é importante que o consumidor saiba o que procurar no rótulo.

“Em alguns casos, o marketing acaba falando mais alto que a transparência. O design tem um papel muito importante em tornar a informação mais acessível e ajudar o consumidor a fazer escolhas mais conscientes e saudáveis”, reforça Maísa.

No Brasil, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) tem criado regulamentações cada vez mais rigorosas para a rotulagem de alimentos, visando proteger e facilitar a saúde da população.

“As novas normas sobre rotulagem nutricional foram publicadas no dia 9 de outubro de 2020. O objetivo é facilitar a compreensão das informações nutricionais presentes nos rótulos dos alimentos e, assim, auxiliar o consumidor a realizar escolhas alimentares mais conscientes”, disse o Ministério da Saúde.

A nutricionista Caobianco também ressalta que a lista de ingredientes, a tabela nutricional e as novas “lupas” frontais implementadas recentemente são as principais partes a serem observadas ao comprar um alimento. Mais do que as calorias, é preciso se atentar à quantidade de fibras, proteínas, açúcares e tipos de gordura presentes no alimento.

“A lista de ingredientes funciona por ordem decrescente: o primeiro ingrediente que aparece é o que está em maior quantidade no produto, e o último é o que está em menor quantidade”, diz.

Foto: Diego Viana
Foto: Diego Viana

Para a população, a escolha dos alimentos no mercado costuma durar poucos segundos; por isso, a clareza das informações é importante. As mudanças implementadas pela Anvisa tentam tornar a compreensão mais fácil, mas especialistas alertam que o acesso à informação e a capacidade de interpretar os rótulos continuam sendo fatores decisivos para escolhas alimentares mais conscientes.

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