A ameaça silenciosa dos alimentos ultraprocessados para a saúde infantil
- Anna Luísa Paulon

- 25 de mar.
- 3 min de leitura
Alimentos ultraprocessados aprofundam desnutrição e agravam obesidade entre crianças brasileiras

Um estudo do The Lancet Regional Health - Americas apontou que, no Brasil, uma
em cada oito crianças de 5 a 9 anos é obesa e a porcentagem de crianças com
obesidade infantil tem crescido nos últimos anos.
O consumo de ultraprocessados e o sedentarismo foram destacados como fatores contribuintes para este fato. Paralelamente, o Estudo Nacional da Alimentação e Nutrição Infantil constatou que, atualmente, quase 30% das calorias consumidas diariamente por crianças de 3 a 5 anos no Brasil são de alimentos ultraprocessados.
Os ultraprocessados são, de acordo com a classificação NOVA, formulações
industriais de substâncias extraídas ou derivadas de alimentos, que contêm pouco
ou nenhum alimento inteiro em sua composição e que são tipicamente adicionadas de flavorizantes, corantes, emulsificantes e outros aditivos que modificam os atributos sensoriais do produto final.
Entre os maiores exemplos de alimentos ultraprocessados, estão os refrigerantes,
biscoitos, salgadinhos de pacote, macarrões instantâneos e cereais matinais.
Desenvolvidos para serem produtos de baixo custo e substituir alimentos in natura, eles são bastante prejudiciais à saúde, tanto pela sua falta de componentes
nutritivos como pela quantidade de açúcar, sódio, gordura ou compostos modificados presentes em sua composição.
Apesar de não serem saudáveis, os alimentos ultraprocessados acabam fazendo
sucesso entre as famílias. Muitas vezes, isso se dá por serem uma opção mais
rápida e barata do que comprar e cozinhar alimentos mais saudáveis. “Muitas vezes na correria do dia a dia não dá tempo de cozinhar, e comprar comidas orgânicas ou mais saudáveis acaba sendo bem mais caro. Apesar de não ser o ideal, às vezes é o que dá para fazer”, relata a mãe de uma criança de 5 anos que preferiu não se identificar. Na casa dela, é comum encontrar biscoitos recheados, sucos de caixinha, bolinhos e doces.
Para as crianças, esses alimentos são ainda mais prejudiciais. A nutricionista
Fernanda Fernandes afirma que os alimentos podem ter muitos efeitos negativos
na vida dos pequeninos, tanto a curto como a longo prazo.
“Esses alimentos são muito ricos em gordura, sal, açúcar e pobres em nutrientes que são essenciais para as crianças se desenvolverem de forma saudável. Quando consome esse tipo de alimento, a criança corre risco de desenvolver obesidade, diabetes, hipertensão, aumento de gordura no sangue (colesterol e triglicerídeos alterados), comprometimento da saúde mental e, em casos mais graves, até câncer”.
A nutricionista alerta que, para o organismo de uma criança, que ainda está em
processo de crescimento, são necessários alimentos repletos de nutrientes para
apoiar o desenvolvimento do cérebro, do intestino e também do paladar.
Por isso, a recomendação é que a dieta das crianças seja rica em frutas, verduras e legumes, que são fontes de fibras, carboidratos complexos e diversas vitaminas que apoiam o desenvolvimento dos pequenos.
HÁBITO DOS PAIS
Pesquisa da Aston University, do Reino Unido, revela que os hábitos alimentares
dos pais é o que influencia a forma como os filhos se alimentam e se relacionam
com a comida.
Giovana Nunes é mãe de um garotinho de 4 anos. Ela se esforça para manter a
alimentação de seu filho equilibrada, oferecendo uma grande variedade de
nutrientes.
“Costumo me organizar bem antes, essa é a chave para poder dar conta. Minha maior motivação é saber que meu filho vai crescer saudável."
Fernanda Fernandes destaca que cuidar da alimentação em família torna a vivência
mais fácil para as crianças.
“Elaborar um cardápio em família e cozinhar juntos ajuda a trabalhar a educação nutricional tanto para os filhos como para os pais. A alimentação das crianças começa com os pais, eles devem ser os exemplos e ensinar as crianças, fazendo com que seja divertido”, diz nutricionista.
Para manter o custo também equilibrado e conseguir conciliar o tempo para
cozinhar, a nutricionista recomenda comprar os alimentos da época.
“Comprando os alimentos da safra do mês, temos opções mais baratas, e fazer refeições em casa sai mais em conta do que comer fora sempre, além de ser mais saudável, pois você sabe o que está consumindo. Quanto ao preparo, se organizar e deixarmarmitas ou opções já prontas e congeladas é uma boa estratégia”.


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