Criminosos miram jovens para aplicar novos golpes virtuais
- Diego Viana

- 22 de mar.
- 4 min de leitura
Atualizado: 25 de mar.
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, um golpe é registrado a cada 16 segundos no Brasil

Eu fiquei em choque e sem reação”, afirma Otávio Augusto, de 22 anos, após tentar comprar a entrada de um evento e perder R$400. Em 2023, o jovem viu no Instagram o anúncio de uma festa em Barretos. Interessado, acessou os comentários em um post do evento nas redes sociais e viu que diversas pessoas estavam anunciando ingressos com um preço mais acessível comparado ao valor oferecido no site oficial da festa.
Atraído pelo menor valor, a vítima entrou em contato com um dos supostos vendedores e passou a negociar a compra de dois ingressos. Para sua surpresa,
após enviar a transferência via Pix, ele foi bloqueado pelo suposto vendedor, descobrindo ter caído em um golpe.
“Hoje não compro mais nada se não for do site oficial, o próprio site já deixa o alerta, mas somos teimosos”, diz o confeiteiro.
Em São José do Rio Preto, em média, por dia, cerca de sete rio-pretenses sofrem algum tipo de golpe, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP). Já no Brasil, as estatísticas revelam que um brasileiro caí em algum tipo de golpe a cada 16 segundos. Para se ter uma ideia, em 2023, foram 1.965.353 registros policiais de estelionato.
Higor Jorge, delegado que atua diretamente com essas fraudes virtuais, conta que os golpistas não selecionam uma idade específica para a aplicação de golpes, no entanto, há uma predominância maior em idosos, ou pessoas com menor familiaridade com a tecnologia.
Ele também ressalta que os jovens não estão isentos de serem vítimas, pois os criminosos estão se adaptando e utilizando formas cada vez mais sofisticadas para atingir também este público que tem uma facilidade maior com a internet.
“As redes sociais, incluindo plataformas como Instagram, Facebook, WhatsApp e, mais recentemente, o TikTok, têm sido frequentemente utilizadas para a criação de perfis falsos minuciosamente elaborados para o envio de mensagens fraudulentas que exploram a confiança e a ingenuidade dos jovens”, ressalta Jorge.
OS GOLPES MAIS COMUNS
O golpe da falsa central de atendimento é uma das fraudes mais utilizadas por golpistas. Nele, geralmente os estelionatários se passam por funcionários de agências bancárias ou empresas de tecnologia, alegando que a conta da vítima está com alguma fraude, em andamento e, para evitar, é necessário realizar procedimentos de segurança.
Neste momento, eles solicitam dados pessoais ou até mesmo orientam as vítimas a instalarem aplicativos de acesso remoto, para dar acesso total ao seu celular, a partir daí os estelionatários realizam empréstimos, transferências e até saques da conta das vítimas.
Outra fraude muito comum, são os golpes na compra e venda de bens, normalmente os golpistas se passam por compradores interessados, negociam o produto e enviam um comprovante de pagamento falso. Quando estão na posição de vendedores, eles solicitam o dinheiro antecipado e, após a transferência realizada pela vítima, o golpista desaparece, assim como aconteceu com o jovem Otávio Augusto, citado anteriormente.
Em Rio Preto, um golpe que os estelionatários têm utilizado para atacar jovens
é o do boleto falso. Henry Thezare Texeira, 22 anos, enfrentou ele ao acreditar que estava fazendo o pagamento de uma parcela do financiamento de seu carro.
Henry conta que, após ter problemas pessoais para pagar um financiamento, entrou em contato com o banco para renegociar a dívida. No contato, por telefone, o jovem foi orientado a procurar diretamente uma determinada financiadora para resolver a questão do atraso.
Ele procurou na internet o nome da empresa e entrou no primeiro site que apareceu na lista de pesquisas do Google. O jovem acreditou na veracidade, procurou a seção de contato e passou a conversar com um funcionário da suposta empresa pelo WhatsApp.
A vítima conta que o golpista, de uma maneira persuasiva, passou a solicitar dados referentes ao contrato e, por parecer confiável, o jovem informou. Após algum tempo de conversa, a suposta financiadora encaminhou um boleto de R$ 1.054,00 para que o jovem pagasse a parcela em atraso.
“Cheguei a desconfiar, pedi até ajuda da minha namorada, que trabalha com notas, para averiguar o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) da empresa, que me confirmou estar correto, porém, o que passou despercebido foi o código de barras que estava alterado”, afirma Henry.
No outro dia, a suposta financiadora voltou a contatar a vítima, tentando aplicar outro golpe dizendo desta vez que havia acontecido um erro no pagamento e que efetuaram um estorno, porém para isso, era necessário que fosse realizado uma chamada de vídeo, para que ele compartilhasse a tela do seu aparelho celular e seguisse orientações dentro do seu aplicativo bancário.
Neste momento, o jovem passou a desconfiar da situação e negou. Após o ocorrido, ele ainda tentou contato novamente com a suposta financiadora, porém não obteve retorno, confirmando se tratar de um golpe, onde ficou no prejuízo de R$ 1.054,00.
“Somente depois que percebemos que os bancos não fazem chamadas por WhatsApp, na correria acabamos não tendo essa noção”, conclui Henry.
Higor Jorge aponta que o enfrentamento eficaz a este tipo de crime requer uma abordagem investigativa, responsabilizando criminalmente todas as pessoas envolvidas. Por isso, é importante o registro do boletim de ocorrência nesses casos.



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